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A ASSOCIAÇÃO CASA NOVELLA - "CASA DE ACOLHIDA NOVELLA" faz parte do conjunto de OBRAS EDUCATIVAS PADRE GIUSSANI, que há 26 anos vêm realizando trabalho com excelência em qualidade. São ao todo sete instituições, sendo quatro centros de educação infantil - Etelvina Caetano de Jesus, Jardim Felicidade, Dora Ribeiro e Gilmara Iris; um centro sociocultural, o Centro Alvorada; a casa de acolhida, a Casa Novella e um centro esportivo, o Virgilio Resi, todos localizados na região Norte de Belo Horizonte, atendendo atualmente cerca de 1000 crianças e adolescentes até 18 anos e suas respectivas famílias

Atuamos na Região Norte de Belo Horizonte, especificamente nos bairros 1º de Maio, Providência, Jardim Felicidade e Novo Tupi.

O nosso método é a partir do olhar para a pessoa e todas as atividades desenvolvidas são propostas de encontros com as crianças, famílias, colaboradores e cada um que participa do ambiente educativo.

Nossa missão é ajudar a família a se tornar protagonista da educação dos seus filhos e educar as crianças à beleza da vida.
Fundada em novembro de 2001, a Casa de Acolhida "Novella" é uma organização não governamental, sem fins lucrativos. Tem como missão contribuir para a defesa dos direitos da criança, sobretudo o direito à convivência familiar, através dos seguintes programas: Acolhimento Institucional, Apoio Sóciofamiliar, Assessoria Técnica e Defesa de Direitos.

Desde a sua criação, definiu como principal objetivo institucional reintegrar as crianças vítimas de violência doméstica sob medida de proteção às suas famílias de origem. Os resultados deste trabalho surpreendem pelas mudanças verificadas no seio destas famílias e, conseqüentemente, na convivência familiar, permitindo a reintegração das crianças após alguns meses de acolhimento

Nestes anos de funcionamento, desenvolveu uma metodologia específica de acompanhamento às famílias em situação de risco social, fazendo com que esta experiência se estendesse a outras instituições que prestam serviços similares e contribuísse para a divulgação e implementação efetiva do que preza o Estatuto da Criança e do Adolescente.

 

 

A origem

 


A primeira experiência da acolhida que fizemos, quando ainda não existia a Casa Novella, foi com uma criança que se chama Tiago (nome fictício) - explica Marco Matos - eu, que sou pediatra e trabalhava naquela época no posto de saúde Ribeiro de Abreu e ali fazia o acompanhamento rotineiro de crianças pequenas. Certa vez, veio uma mãe com um recém-nascido chamado Tiago, que começou a fazer o controle: consultas, vacinas, orientações, etc. Quando ele tinha de 2 a 3 meses vi que começava a chegar sujo, com assaduras, começou a perder peso, começou a chegar sempre mais doente, uma vez com otite, uma vez com diarréia. Vi que também a mãe tinha um comportamento diferente e comecei a falar com ela sobre isso. Mas, antes mesmo que eu conseguisse enfrentar o problema, ela desapareceu. Fomos atrás dela, eu e o pessoal do posto de saúde, na sua residência, na casa dos seus parentes, mas ninguém dava notícias dessa mãe e, no final, tivemos que deixar de lado.


Depois de 6 meses, Tiago tinha 10 meses naquela época, ela reapareceu no meu consultório. Quando chegou, disse: "Dr. Marquinho, olha essa criança aqui, você se lembra dele? Eu não dou mais conta de cuidar dele". De fato, quando olhei para o Tiago ele estava com uma desnutrição de terceiro grau, doente, com infecção. Naquele momento, fiquei chocado, mas, ao mesmo tempo me veio um impulso natural para ajudá-lo, de querer abraçar aquela mãe com sua criança, com aquela necessidade urgente que gritava diante de mim.


Disse a ela: "Concordo que você não dá mais conta de cuidar dessa criança nesse momento, mas eu tenho amigos que trabalham em uma creche aqui perto e se você concordar, podemos ir lá e pedir para que tomem conta de seu filho". Ela aceitou e fomos para a Creche Jardim Felicidade onde Silvana era a responsável. Chegando lá, disse para o pessoal: "Olha, temos que cuidar dessa criança". Imediatamente todos começaram a cuidar dela, dar banho, alimentá-la.
Nesse momento me impressionou muito a atitude de Silvana. Ela se colocou logo disponível para acolher aquela criança. Não a conhecia, mas se colocou à disposição. E quando eu disse que ela não podia passar a noite com sua mãe, que poderia ficar na Creche durante o dia, mas à noite ela teria que ter uma casa aonde ir, vi que os olhos dela brilharam e logo ela disse: "Então, Tiago fica na minha casa". Sem nem mesmo falar com o marido, ela levou Tiago para sua casa e começou a cuidar dele.


O seu gesto de gratuidade me impressionou muito, foi um movimento da sua liberdade de dizer sim àquilo que estava acontecendo, abraçou de verdade aquela criança, até ao ponto de levá-la para casa. E cuidou dele durante vários meses e ele se recuperou rapidamente. Durante este período também a mãe foi acolhida e, assim, reaprendeu a olhar e amar o seu filho, a cuidar e a se relacionar com ele.


Depois de alguns meses, pediu que a criança voltasse para casa. Ela se sentia segura, tinha superado aquele momento de maior dificuldade e agora podia cuidar novamente do Tiago. E, assim, ele voltou para casa. Mas, até hoje sempre vai à casa da Silvana e passa as férias com ela. (Depoimento de Marco Mattos)


Essa história explica o que quer dizer a acolhida: ser apaixonados pelo destino do outro, o destino de felicidade para o qual aquela criança era prometida, ao qual cada um de nós é prometido. A partir daquele momento, começou a amadurecer a idéia de construir um lugar para crianças que, como Tiago, no cotidiano das creches Jardim Felicidade, Dora Ribeiro e Etelvina Caetano de Jesus eram vítimas de violência e descuido, situações que, até então, eram enfrentadas pontualmente.

 

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